sábado, 19 de janeiro de 2008

A política em S. Tomé e Príncipe em os dois lados da barricada

Chamar de corrupto, charlatão, ladrão aos políticos são-tomenses, obrigou-me a fazer uma espécie de auto-de-contrição. Na verdade, a questão é muito mais complexa, principalmente quando a reflexão não é aprofundada desde a sua génese.


(Trabalhadores da Câmara Municipal de Água-Grande, em Serviço de recolha do lixo)



Estas imagens justificam implicitamente o comportamento da classe política. O lixo, em 2003, ainda era transportado em veículos de caixa aberta, sem que se tivessem em conta sérios riscos para a população e para a vida dos trabalhadores.

· Por que razão as pessoas desviam fundos, falsificam documentos, corrompem os funcionários, apropriam-se dos bens móveis e imóveis do Estado, e ninguém pára à prisão, para termos que viver com imagens como esta?

· Se, porventura, no mínimo das hipóteses, alguém for acusado e, em consequência disso, parar à prisão, este não indemniza o Estado. É o Estado, paradoxalmente quem ainda o indemniza!

· E, se for libertado, hipótese mais que provável, até deixa transparecer que veio de umas longas e afortunadas férias, dum país europeu qualquer.
Então, a questão que se põe é a seguinte: por que razão os professores aldrabam as notas dos alunos? Por que razão os enfermeiros e os médicos têm clínicas privadas, outros até têm-nas em casa e muito mais apetrechadas do que os próprios hospitais? Por que razão os funcionários do Estado são cumulativamente comerciantes?







(Porte de um enfermeiro são-tomense nos anos 50 do séc. XX)



A resposta, para todas estas preocupações, já foi avançada em vários estudos académicos sobre S. Tomé e Príncipe. Mas quando saímos da Europa, de férias, para a África, deparamo-nos com juízes, com salário de uma mulher-a-dias. Os professores são forçados a trabalhar de manhã à noite, para verem minimamente satisfeitas as suas necessidades básicas. Os antigos directores e outros quadros, na reforma, auferem um salário inferior a 20 euros.

Então, ao mesmo tempo, vemos navios com a matrícula são-tomense a vaguear e serem apreendidos no estrangeiro. Vemos políticos com mansões, com piscinas, com relvados no quintal, sem qualquer justificação da proveniência desses financiamentos junto à justiça e às finanças públicas. E para camuflarem a sua desonestidade junto à população, nada melhor que eleger o nome do Pinto da Costa em todos os cenários. Os que vieram depois do Pinto podem justificar onde arranjaram tanta riqueza em tão curto lapso de tempo? Os que denunciam esses abusos, são pura e simplesmente silenciados. Os que não são silenciados, são estigmatizados de "doidos", "manda-bocas", "boateiros" e outros mimos mais...

(Uma instância turística são-tomense)

Estamos fartos de estar sistematicamente a criticar o que está mal. Agora vamos exaltar somente o bem!...

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